domingo, 9 de agosto de 2009

PÕE NA RODA

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E aproveita, que é de graça!

À MESTRA, COM SAUDADE

Quando batizamos este blog, chamando-o de Mídia com Pão e Manteiga, só queríamos homenagear o popular desjejum nosso de cada dia. Só quando fomos escrever as iniciais é que nos demos conta: MPM. Não foi intencional, mas gostamos da coincidência. Porque estamos entre as muitas crias da MPM que ainda sobrevivem na publicidade brasileira. Não da MPM de hoje, em frente ao mar de Copacabana. Mas da lendária agência do casarão da Rua Dona Mariana, em Botafogo, no Rio. A que nasceu nos pampas, ganhou o país e chegou a ser a maior da América Latina. A primeira agência de publicidade onde pusemos nossos então jovens pezinhos, e onde demos os primeiros passos neste fazer publicitário que hoje nos garante a média-com-pão-e-manteiga e o ovo frito da sobrevivência. À velha e boa MPM, nosso melhor carinho e nossa eterna gratidão.

E QUE CULPA TEM O PORTUGUÊS?

Sempre fomos admiradores sinceros e entusiastas das Casas Bahia. Não só pelo profissionalismo com que tratam os clientes. Também pela adequação e inteligência de sua publicidade. Mas de uma hora para outra parece que bateu o desespero. Além de partir para uma linha apelativa (falei com o "seu" fulano, como se o saudosismo de resgatar essa politicazinha personalista e centralizadora fosse bom sinal), resolveram maltratar o pobre do português, falando a Casas Bahia...em todos os filmes de televisão. Não por acaso, lemos na Exame que a companhia está em crise e o comando mudou de mãos. Teriam mudado de agência, ou apenas quem passou a aprovar a publiciade é mais tosco? Exame diz também que o lucro encolheu quando passaram a aceitar cartões de crédito, o poder de pressão sobre o setor industrial diminuiu quando o grupo Pão de Açúcar comprou o Ponto Frio (ex-Pé Frio). Tá bão, tá bão, sabemos que o varejo sofre esses percalços. Mas...afinal, por que fazer o coitado do português pagar o pato...ou seria pagar o pinguim? Com todo respeito: A CASAS BAHIA...É O CATSO!

FAVELADO, NÃO! MORADOR.

Quem já se deu ao trabalho de ler nossas ideias mirabolantes sabe que o assunto favela é recorrente por aqui. Por isso, está na hora de esclarecer um ponto importante: para nós, nenhuma política pública envolvendo favela pode ser levada a sério a não ser que o morador seja tratado como morador, e não como um coitadinho que precisa ser assistido.

Não estamos nos referindo ao retirante que chega com uma mão na frente e outra atrás e, sem recurso qualquer, faz um barraco de sucata. Porque ninguém vive sem morar. Até quem vive na rua é chamado de morador de rua. Esses precisam realmente ser assistidos, de preferência pelas prefeituras de suas cidades de origem.

Estamos nos referindo às pessoas que moram em casas de alvenaria com água e luz. E que não são chamados de moradores do bairro tal, mas de favelados da favela tal, porque suas casas não foram construídas em loteamentos legalizados, com registro de imóveis. E por não terem registro de imóveis não têm planta aprovada, não têm habite-se e não pagam imposto predial.

E por não terem a papelada toda foram tratadas por um século pelo poder público como se não existissem, ou fossem invisíveis, até que chegou o tráfico, chegaram as armas, as milícias, e começaram a incomodar a parte oficial das cidades.

São milhares de habitações e, já que estão aí, seria uma burrice muito grande desmanchar todas para fazer tudo novo em outro lugar (que lugar?). Com um milésimo da grana daria para por em prática algumas ideias mirabolantes e ainda promover o ordenamento urbano.

Quem tem sua casa deve pagar água, luz e imposto predial, pra depois ser chamado de morador e cidadão, como se faz nas melhores cidades do mundo, não é?

Sem tabu: construir clandestinamente para não ter que pagar aluguel, impostos, água e muitas vezes até energia elétrica (miau!) é escolha, não necessidade.

Fora disso, só há demagogia sem vergonha e paternalismo financiado com a grana dos outros (os que pagam impostos, água, luz...etc. etc. ).

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MARIETA SEVERA E LÚCIDA

No Globo de sábado, véspera do Dia dos Pais, saiu uma reportagem sobre a reação da sociedade ao baixo nível do atual Senado. O jurista Célio Borja critica a falha do nosso sistema escolar que, segundo ele, nada ensina sobre a Constituição, a função dos vereadores, a dos deputados. O ator e diretor de teatro Enrique Diaz fala sobre a complexa porém necessária tarefa de mudar a mentalidade da sociedade brasileira sobre a relação entre coisa pública e coisa privada. Concordamos e assinamos embaixo. Mas quem deu um show de lucidez foi mesmo a atriz Marieta Severo, cuja opinião tomamos a liberdade de reproduzir aqui: “A coisa mais importante é a democracia. Prefiro um Senado cafajeste e corrupto, como o que está aí, que (sic) um Congresso fechado. Quando começa uma desmoralização política que chega a esse ponto, começam os rumores: ‘então pra que serve isso?’. O importante é o Congresso funcionar e melhorar.” Embora achemos que Senado bom é Senado limpo, estamos com a grande Marieta. Como diria o Ancelmo: Viva ela!

SALVEM AS MARINAS!

Tucanos e eleitores insatisfeitos, atenção! A candidatura de Marina Silva à presidência da República só fará algum sentido se for para desfazer o paradigma do bipartidarismo forçado, segundo o qual a eleição deve necessariamente ser decidida entre PMDB e PT. Quem lançou essa movimentação pela internet, e certamente quem aderiu, deve estar sonhando com uma terceira possibilidade. Achamos que uma aliança entre Marina e Cristóvam, por exemplo, com uma plataforma preservação + educação = evolução, seria muito conveniente. Mas essa empolgação do Aécio pela candidatura da ex-ministra, de olho numa aliança no segundo turno, não tem a menor graça. Já temos muito disso na política brasileira. Demais, até! Sem falar na pretensão, na arrogância, na mentalidade das favas contadas, do "seu voto já é nosso", segundo a qual eleitor não decide, só vai atrás. Quem disse que a Marina não pode chegar ao segundo turno... por ela mesma e com outros apoios menos "mais do mesmo".....?!