domingo, 9 de agosto de 2009

FAVELADO, NÃO! MORADOR.

Quem já se deu ao trabalho de ler nossas ideias mirabolantes sabe que o assunto favela é recorrente por aqui. Por isso, está na hora de esclarecer um ponto importante: para nós, nenhuma política pública envolvendo favela pode ser levada a sério a não ser que o morador seja tratado como morador, e não como um coitadinho que precisa ser assistido.

Não estamos nos referindo ao retirante que chega com uma mão na frente e outra atrás e, sem recurso qualquer, faz um barraco de sucata. Porque ninguém vive sem morar. Até quem vive na rua é chamado de morador de rua. Esses precisam realmente ser assistidos, de preferência pelas prefeituras de suas cidades de origem.

Estamos nos referindo às pessoas que moram em casas de alvenaria com água e luz. E que não são chamados de moradores do bairro tal, mas de favelados da favela tal, porque suas casas não foram construídas em loteamentos legalizados, com registro de imóveis. E por não terem registro de imóveis não têm planta aprovada, não têm habite-se e não pagam imposto predial.

E por não terem a papelada toda foram tratadas por um século pelo poder público como se não existissem, ou fossem invisíveis, até que chegou o tráfico, chegaram as armas, as milícias, e começaram a incomodar a parte oficial das cidades.

São milhares de habitações e, já que estão aí, seria uma burrice muito grande desmanchar todas para fazer tudo novo em outro lugar (que lugar?). Com um milésimo da grana daria para por em prática algumas ideias mirabolantes e ainda promover o ordenamento urbano.

Quem tem sua casa deve pagar água, luz e imposto predial, pra depois ser chamado de morador e cidadão, como se faz nas melhores cidades do mundo, não é?

Sem tabu: construir clandestinamente para não ter que pagar aluguel, impostos, água e muitas vezes até energia elétrica (miau!) é escolha, não necessidade.

Fora disso, só há demagogia sem vergonha e paternalismo financiado com a grana dos outros (os que pagam impostos, água, luz...etc. etc. ).

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