terça-feira, 16 de junho de 2009
SIMONAL
Um dos temas do Saia Justa, no final de maio, foi o documentário Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, e que está está bombando aqui no Rio. A conversa girou em torno da patrulhagem ideológica de que ele teria sido vítima. Pena que muito material precioso se perdeu, com os incêndios da TV Record e da TV Tupi, que aconteceram mais ou menos na mesma época. Sem querer tirar o mérito dos realizadores do filme, o que sobrou foram meias verdades, infelizmente. Faltou o material dos shows de MPB ao vivo, feitos para a televisão. Ali se podia ver que gente já famosa e prestigiada – como Chico Buarque, por exemplo – acreditou em Simonal, no seu inegável talento, e lhe deu muita força no início da carreira. Ao contrário do que possa parecer, Simonal não foi empurrado para o ostracismo por revanche ou boicote. Ele foi alçado à fama pelos que lhe deram força a favor. Apenas deixou de receber o apoio que recebia antes. Talvez tenha sido imaturo ao subestimar a importância dos apoios que recebia. Talvez ingênuo o suficiente para achar que, com seu talento, podia tudo, e prescindia do apoio e da solidariedade dos colegas de profissão. Procurar culpados pelo abortamento dessa carreira brilhante, a essas alturas, é distorcer os fatos. Melhor será resgatar o que sempre foi bom – o carisma e o talento inegável desse show-man, dos mais brilhantes que já nasceram por aqui. Inigualável, talvez.
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